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A BASE DA SAÚDE EMOCIONAL DAS CRIANÇAS

  • Foto do escritor: CLÍNICA HUMANÍSSIMA
    CLÍNICA HUMANÍSSIMA
  • 2 de jul. de 2024
  • 3 min de leitura

BRIGGS, Dorothy Corkille.   A AUTOESTIMA DO SEU FILHO.  Martins Fontes: São Paulo, 2002



Texto extraído do livro “A Autoestima do seu filho” de Dorothy Briggs.


Por Jocélia Farias Paes

Psicóloga e Psicoterapeuta


Todos os pais desejam muito realizar um bom trabalho quando criam seus filhos, levam à sério este papel, empenham-se totalmente. Lutam para fazer as coisas da melhor maneira, fazem investimentos de tempo, energia, cuidado e dinheiro.  Não poupam esforços.

Mas, apesar das boas intenções, porque às vezes dá errado? Por que o que parecia tão simples torna-se muito complexo? Os filhos não correspondem ao resultado e expectativas esperadas.

As notas no colégio não são boas, é emocionalmente imaturo, rebelde, tímido, fechado. Talvez os amigos sejam não muito recomendáveis, as inter-relações são problemáticas, etc. Mesmo que não identifique esses problemas nos filhos, ouve falar dos aumentos de delinqüência juvenil, uso de drogas, abandono da escola, gravidez na adolescência e inúmeras outras preocupações que lhes fazem pensar como irão manter seus filhos longe delas.

Surgem as incertezas. “Estarei agindo da maneira certa?” ; “Devo bater, discutir, proibir, ignorar?” A realidade faz os pais perderem a confiança em si mesmos como pais.

Todos os pais sonham coisas positivas para seus filhos, mas isso não deve incluir apenas a evitação de colapsos nervosos, alcoolismo e adicção às drogas e a delinqüência. Coisas como autoconfiança, participação objetiva nos grupos, relações significativas e construtivas com outras pessoas, êxito na escola e no trabalho, e acima de tudo a felicidade deveriam ser as buscas de todos os seres humanos.

Os pais anseiam por uma regra prática que os guie, particularmente em momentos de crise e confusão. Hoje, sabemos que autoestima elevada seria a base desta regra. As pesquisas têm mostrado que crianças e adultos que reagem bem às questões práticas e emocionais evitam com mais objetividade o fracasso.

O que é autoestima? É a maneira pela qual a pessoa se sente em relação a ela mesma – quanto gosta de sua própria pessoa, em todos os seus aspectos. Não é uma pretensão ostensiva. A pretensão é uma manifestação falsa para encobrir uma autoestima precária. É um sentimento calmo de respeito por si mesmo. Um sentimento do próprio valor. É estar satisfeito por ser quem é. Quando se tem uma boa autoestima não se perde tempo querendo impressionar os outros.

A idéia que seu filho tem dele mesmo influencia na natureza das suas relações e escolhas. Na maneira como se entende com os outros, na escolha dos amigos, o tipo de pessoa com quem se casa e sua produtividade. Afeta sua criatividade, integridade, estabilidade, liderança ou submissão. Os sentimentos acerca do seu próprio valor são a base da sua personalidade. Sua atitude consegue mesmo ter influência direta sobre a maneira pela qual vive todos os aspectos de sua vida. Em síntese, a autoestima é a mola que impulsiona a criança para o êxito ou o fracasso como ser humano. Não é exagero! Todo o pai que se preocupa deve ajudar seu filho a criar uma fé firme e sincera em si mesmo.

Todas as pessoas têm duas necessidades psicológicas básicas: ser amada e valorizada. Especialmente as crianças, necessitam se sentirem amadas e dignas. Essas necessidades não desaparecem com a infância, elas acompanham os indivíduos até a morte.  Elas são tão importantes quanto o oxigênio para a sobrevivência física.

Muitos pais dão a garantia de amor a seus filhos. Entretanto, há uma grande diferença entre ser amada e sentir-se amada. As crianças precisam sentir-se amadas. É estranho, mas muitos pais amam verdadeiramente seus filhos, mas eles não percebem este sentimento. É importante compreender que é o sentimento sobre ser ou não ser amada que afeta a maneira como a criança irá se desenvolver.

O mesmo acontece com o respeito e dignidade. Como é recebida pela criança a mensagem de que ela é reconhecida e valorizada? Tal sentimento é parte importante da formação da autoimagem.

A autoestima elevada não tem relação com a riqueza da família, beleza física, educação, lugar onde mora, classe social, ocupação do pai, ou com o fato da mãe estar sempre em casa. Ela vem da qualidade das interações entre a criança e as pessoas que ocupam papel significativo em sua vida. Toda criança tem potencial de saúde psicológica. O desenvolvimento deste potencial irá depender do clima psicológico em que vive.

As respostas comportamentais que as crianças dão proporcionam um instrumento realístico para avaliar o clima que lhe é oferecido. Determinam áreas que devem ser mudadas. Ajudar as crianças a desenvolver sua autoestima é a chave de uma paternidade bem sucedida.

 
 
 

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